quarta-feira, agosto 31

zinme

às vezes sonho com um mundo melhor. outras vezes construo-o.

terça-feira, agosto 30

emplastro

segunda-feira, agosto 29

-_-

o "caso" do ricardo no sporting, criou uma nova estirpe no futebol... a dos "psicólogos de bancada".

domingo, agosto 28

as mulheres

elas conhecem-nos pelo olhar. nós ficamo-nos pelas aparências, mais ou menos cientes de que nos será impossível conhecê-la e, mais que isso, sabê-la (o que só acontece a partir do dia em que ela nos ame acima de tudo, e nós a amemos e deixemos de amar, sem que tenhamos a coragem de lho dizer. atinge-se então o nirvana que nos permite ser analíticos). os poucos de nós que arriscam tentar conhecê-las pelo olhar, acabam invariavelmente por deprimir ou enlouquecer, e algumas vezes perpetuam esse olhar e o momento em versos (já dizia garcia lorca, "olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais", mas nem mesmo ele era capaz de descodificar uma mulher dessa maneira).

sexta-feira, agosto 26

hm

os melhores momentos dos meus dias são aqueles em que estou sozinho com os meus pensamentos. em que deambulo pelos meus sonhos. em que se perde a maldade, em que não há bárbaras, ritas, marias ou fernandos a mostrar-me como o mundo pode ser feio, porco e mau. por incrível que pareça, nesses pensamentos sou mais feliz quando me instalo em memórias de noites escuras, de sofrimento espelhado em lágrimas. são tão melhores que estes dias aos quais volto todas as manhãs, onde o sol bate na cara e seca e protege o que devia cair. onde o dia corre e, definitivamente, aos meus ossos não volta o que se sente aos 15 anos (mas eles lembram-se tão bem. e anseiam).




(adenda: nessas noites os meus sentimentos e as minhas emoções, melhores ou piores, eram desgarradas e intensas e coloridas e como eu sempre as desejei. lembro-me quase tão bem, como do resto. mas anseio ainda mais)

cocoon crash

k's choice - everything for free

i don't know who you are
but you seem very nice
so will you talk to me

shall i tell you a story
shall i tell you a dream
they think i'm crazy
they don't know that i like it here
it's nice in here
i get everything for free

have you been here before
shall i show you around
it's really pretty

have you come here to stay
well you sure picked a day
my name is billy
it's my birthday, you're invited
to my party down the hall

where i'll go, what i'll become or who i am or what i'll be i'll never know
but i am sure that i'll get
everything for free

i'm not troubled or sad
i'm just ready for bed
it's been a long day

before they switch off the lights
that truly was a delight
they think I'm crazy
they don't know that i like it here
it's nice in here

where i'll go, what i'll become or who i am or what i'll be i'll never know
But i am sure that i'll
get everything for free

where i'll go, what i'll become or who i am or what i'll be i'll never know
But i am sure that i'll
get everything for free

everything for free

i don't know who you are
but you seem very nice
so will you talk to me

have you been here before
well you sure picked a day
they think i'm crazy

...

quinta-feira, agosto 25

patriotismo(s)

não tem título, mas tem texto


esta é uma imagem verdadeiramente poderosa. mistura, ao mesmo tempo e de maneira única, uma impressionante panóplia de sentimentos tão diversos, que formam uma massa homogénea, essa mesma massa homogéna característica que trespassa toda a postura inexorável de josé mourinho, desde que se tornou figura pública. há nesta imagem poder. força. e ambição. reparem bem. mas há também laivos bem traçados de "dever cumprido" e uma pose de um finalmente "descanso do guerreiro", merecidíssimo. mas esta imagem deixa transparecer igualmente que mourinho, como todo o guerreiro, não baixa a guarda sequer nestes momentos, pronto que está para toda e qualquer batalha. a qualquer momento. e se ao mesmo tempo parece que mourinho pôde deixar a máscara implacável e cínica de lado, como que a dizer-nos "eu não sou mau, é o papel que tenho para poder suceder no futebol", haja a noção que isso somos nós a entrar no jogo. para que quem não lhe reconheça competência técnica para ter ganho aquele estatuto, se deixe enlevar pelo sentimento e por aquela comiseração tão tipicamente portuguesa, de quem prefere que à frente do mérito esteja o pobrezinho, o sacrificado, ainda que nada tenha feito por isso. e se mais não houvesse isto bastaria, mas o troféu arrebatador e imponente ao lado de mourinho ainda compõe mais e melhor esta imagem inesquecível, pelo momento, mas principalmente pela energia que emana. é impossível não se ficar totalmente absorto com esta fotografia.

now, excuse me again, but these things i do

consegui, pela primeira vez em muito tempo, deitar-me (relativamente) cedo e acordar (relativamente) cedo. hoje vai ser um bom dia.

quarta-feira, agosto 24

a segunda é óbvio que é o desenhar em guardanapos

hoje (e é tão cedo...) aconteceram duas coisas extraordinárias que já não me aconteciam há tanto e demasiado tempo. primeiro apareceu, do meio do nada que é o monte de despojos em cima da minha secretária, uma caneta. uma bic. bic bic, bic cristal, bic laranja... bic cristal! já não tinha uma bic cristal na mão desde que rasguei a noite a pinceladas cheias e palavras redondas (agora alheias). e isso actualmente parece ter sido muito antes de eu... ser eu. adiante. a bic cristal podia ter um propósito sério e responsável: escrever sítios de reuniões e contactos de telefones fixos e telemóveis e telex's e faxes e mails e... chega! felizmente quando pegamos numa caneta, e esta é uma bic cristal, não pegamos realmente na caneta, é antes a caneta que pega em nós. não me canso de o dizer: ainda bem que assim o é. e se os primeiros nomes apareceram, e se os primeiros 91's e 96's lograram aparecer, depressa rasguei o papel em que surgiam e peguei num guardanapo (o meu material favorito para escrever) e desenhei, deixei que se desenhasse, deixei desenhar-me, fui desenhado! eram caras e expressões! eram olhos! eram rabiscos! eram corações! eram texturas! eram riscos e eram rabiscos e eram olhos outra vez e era o que eu quisesse que fosse e o que a caneta deixasse! ...ah se não fosse a bic cristal a pôr-me a vida em perspectiva.

porque o dia acorda assim e eu contigo

the carpenters - close to you


<br /><bgsound src="http://jamiroo.tripod.com/carp.mp3"><br />




Why do birds suddenly apear
Every time you are near?
Just like me, they long to be
Close to you.

Why do stars fall down from the sky
Every time you walk by?
Just like me, they long to be
Close to you.

On the day that you were born
and the angels got together
And decided to create a dream come true
So they sprinkled moon dust
in your hair of gold
And starlight in your eyes of blue.

That is why all the girls boys in town
Follow you all around
Just like me, they long to be
Close to you.

On the day that you were born
and the angels got together
And decided to create a dream come true
So they sprinkled moon dust
in your hair of gold
And starlight in your eyes of blue.

That is why all the girls boys in town
Follow you all around
Just like me, they long to be
Close to you.

Just like me, they long to be
Close to you.





(porque é bom acordar ao teu lado, e melhor ainda é adormecer; porque é o teu semblante que me surpreende o pensamento, quando oiço os pássaros lá fora; porque é o teu abraço que procuro, nas horas de maior aperto; porque és tu quem amo, e amo de verdade, como quem ama sem saber que ama, como quem ama sem saber o que é amar, como quem ama simplesmente... de um amor com mistério e com virtude)

duas, talvez



rainha leticia

uma palavra



lindíssimo.

jessica biel

o silêncio é de ouro.



qué interregno tan forte. por favor, no me mires así.



(miento. desbrava-me con tus ojos puros)

alba, not biel II

continuei calado, e o post seguiu sozinho. cada vez melhor.









alba, not biel

dias há em que me faltam as palavras. por isso hoje decidi publicar um post bonito. este. comecei por calar-me.




terça-feira, agosto 23

i guess you're right

saying videogames cause violence, is like saying pac-man causes eating disorders.

ironias

a suíça está alagada.

segunda-feira, agosto 22

...

não consigo escrever. não dá, simplesmente não dá.

domingo, agosto 21

de que são feitos os sonhos?


cafú





maradona





zidane





ronaldinho

senhor antónio costa, calamidade deve ser a sua tia!

hoje encontrei um jornal antigo cá em casa. um diário de coimbra. os meus pais guardaram-no, penso eu, porque apareço em grande plano numa foto. na altura, chamou-me a atenção na primeira página a notícia principal, "universidade de coimbra certificada". hoje são as letras pequeninas que pululam à minha frente: "país está a arder". JUNHO de 2005.

sexta-feira, agosto 19

le parkour




não me lembrem coisas tristes nem cultivem o ódio no meu coração

é da janela do meu quarto que vos conto o mundo como eu o vejo. quem me dera que pudessem perceber o que se vê daqui, quem me dera que os meus fossem os vossos olhos, quem me dera que me compreendessem nas alturas em que não posso ou é impossível explicar a mágoa profunda e a alegria incontinente (aqui queria escrever "inconstante", como se de "conter" pudesse ser, mas não). quem me dera. é que neste momento, lá fora, está um precioso nevoeiro sebastianista a esconder o processo de amanhecer da cidade. são escassas as luzinhas que se vêem e parcas as sombras e silhuetas das poucas árvores que nos restam (tudo muito poucochinho nesta frase, principalmente o português). o orvalho lá fora humedece os carros e os passeios, os caixotes do lixo e os candeeiros, os portões e as portadas, as janelas e o sangue na calçada (um subtil e coerente toque de vermelho no acinzentado da paisagem). parece inverno lá fora, e cá dentro, no meu coração.

quinta-feira, agosto 18

sequências

começa por sentar-me aqui, irado, com o intuito de escrever um texto sério e uma reflexão profunda. segue por uma inalação profunda, do vento frio que vem da esquerda. esse vento chama-me lá fora. não podendo ir todo, deixo o corpo cá dentro e esgueiro-me sorrateiramente para o telhado, deixando-me sobrevoar estas casas e estas pessoas (a maior parte delas adormecidas), enquanto me explano sobre esses assuntos mesquinhos dos quais agora percebo tanto e tão pouco ao mesmo tempo. aproveito e vou olhando para os meus lugares do dia, na preguiçosa e impaciente espera de uma associação lugar-pensamento do género estímulo-resposta, que enriqueça a minha tese e as minhas denúncias. ao fim e ao cabo, a catarse após tanta luta.


mas um coaxo aqui, e uma pedra diferente de todas as outras ali; um casal de mãos dadas a horas proibitivas, e duas guitarras (que já não tocam) no fortim em frente à igreja; e os sonhos e os sonhos; e não há nada melhor do que esquecer e adiar o mundano, para que mais uma noite, esta noite, o que realmente importe seja adormecer ao teu lado, encaixados, sumidos de tudo o resto. é tão mais fácil percebermos o mundo como ele devia ser, quando o realmente é.

terça-feira, agosto 16

para quem nunca viu

zé cid - favas com chouriço


<br /><bgsound src="http://home.graffiti.net/jamiroo:graffiti.net/o.mp3"><br />



(revista Nova Gente)

kitsch...


...nette II

Mesas de café (redux)

Uma mulher olha perdida, desvanece-se a pouco e pouco, mistura-se com a neblina lá fora. Papéis, açúcar, garrafas vazias e semi-vazias, despojos do momento ali. Uma gargalhada sonante, um sorriso que responde. Um rapaz que espera, ansioso, treme nervoso. A rapariga atrás, de costas, sentada, que espera, ansiosa, treme nervosa. Um velho, agarrado ao copo, sente a vida passar por ele, tenta iludir-se com o tinto e enganar a morte. O copo é a certeza de outro dia, o que o faz lembrar-se que não morreu ainda (não, já não sente, o sentir é passado, e esse já não volta mais). As crianças comem bolos, os pais embevecidos amam-se. Um jornal, uma caneta, as palavras cruzadas. Nome de poeta? "Ary".

Mesas de café.

segunda-feira, agosto 15

cúmulos

era tão voluptuosa que o próprio excremento era objecto de luxúria.

fluoxetina, ò estúpido

descobri uma palavra nova: toxúria. e não sei o modo correcto de empregá-la.

>.<

it's getting hot in here



está um calor desgraçado e tenho tanta fome, que não consigo adormecer e sinto-me à beira da extinção. tenho vontade de contar segredos, de escrever-me aqui, num exibicionismo fútil e incompreensível. é melhor desligar isto.

domingo, agosto 14

essa

"Toda língua é invadida e, como mulher, fecundada. De vez em quando a nossa leva na bunda, mas nada que, lavada, não fique novinha."

Millôr Fernandes

so you want to be a writer?

if it doesn't come bursting out of you
in spite of everything,
don't do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don't do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don't do it.
if you're doing it for money or
fame,
don't do it.
if you're doing it because you want
women in your bed,
don't do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don't do it.
if it's hard work just thinking about doing it,
don't do it.
if you're trying to write like somebody
else,
forget about it.


if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you're not ready.

don't be like so many writers,
don't be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don't be dull and boring and
pretentious, don't be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don't add to that.
don't do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don't do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don't do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.





Charles Bukowski, Sifting through the madness for the Word, the line, the way

simplesmente...


...simples e sem palavras.

do amoroso esquecimento

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana

rendezvous : potrero hill


<br /><bgsound src="http://jamiroo.tripod.com/aih.wma"><br />


muitas vezes perco-me por coimbra. não é que coimbra seja especialmente grande; mas a minha abstracção vence-me todos os dias e por tantas vezes. vejam os meus cadernos: começam, invariavelmente, com uma folha limpinha de apontamentos do lente, para cedo se acostumarem à miríade de desenhos, rabiscos e ideias soltas que brotam da minha inconstante pessoa. ou os meus amores: quando dou por mim, são escritos à mão e na minha cabeça. não é raro, portanto, que me deixe vencer, e com muito gosto me rendo. mas também nisto sou caprichoso, pois há o abstrair e o abstrair, há o perder e o perder-se. eu gosto de me perder no inverno. o ar frio corta o ambiente em traços rectilíneos que a tinta da china desenham uma personagem nova em mim, e um cenário diferente onde me môvo. depois as fachadas transformam-se nas grandes fachadas de helsínquia, românticas e nórdicas, frias ao primeiro olhar e quentes no seu abraço melancólico e literariamente gélido, com o mar de um lado e o mercado do outro. pintam-se nesse instante da côr que eu as via à noite: um azul arroxeado, igual ao do entardecer. vou pelas ruas e o meu pensamento perde as regras, a ética e a moral, e faz o que bem lhe apetece. algumas vezes passeia-se pelas vivências do dia e da minha própria existência, numa perspectiva totalizante de mim próprio, mas sem a mínima intenção de tocar o real. e aí sorrio, com a certeza de que filme mais burlesco que o meu, não há.


think about it through the day

the go! team - everybody's a VIP to someone


<br /><bgsound src="http://jamiroo.tripod.com/vip.mp3"><br />

o discurso do cínico

"Comer, escarrar, defecar e urinar em praça pública; assim como masturbar-se à plena luz do dia, seriam modos de lembrar que os apetites são naturais e não há, em princípio, melhores que outros. É a cultura que inventa hierarquias entre diferentes desejos e considera apropriado ou não satisfazê-los."

Ricardo Goldemberg

sábado, agosto 13

morte

se alguém imaginasse as ideias pérfidas, sádicas e homicidas que me habitam a cabeça neste momento, por mais ateu que fosse era certo e sabido que rastejaria até roma para exigir que me fizessem um exorcismo. neste momento, não sou um filho de Deus, não senhora.

viva o «choque tecnológico» (TM)!

"bem-vindos ao século XXI", ouve-se a hospedeira vomitar. vomita, coitada, é vítima de um «choque tecnológico» (TM) que lhe causou uma grande hemorragia cerebral, semelhante (vista da lua) à onda vermelha que percorre o país (não é o benfica estúpido, é o fogo). mas este choque tecnológico é maravilhoso: quando eu era criança, desejava que tudo o que eu sonhasse ou quisesse, bastava ser dito para se materializar. "ai queria tanto um gelado", e toma lá gelado. "ai queria tanto a paz no mundo", e toma lá flores e harmonia e hippies aos quilos. mais tarde, na minha adolescência, desejei uma varinha mágica que pudesse tocar em fotos ou imagens e materializar a angelina jolie ou a cate blanchett e o resto e tal vocês sabem. se não sabem, deviam saber. no entanto, tudo isto foram delírios e rascunhos do que realmente pode acontecer. e aconteceu, com o «choque tecnológico» (TM). agora temos "pessoas" que dizem na televisão "ai e tal e isto que está a acontecer desde janeiro não é, de todo, um desastre ecológico" e que realmente acreditam que por dizerem esta frase jocosa tornam isso realidade. eu acho que "pessoas" em cargos de elevada responsabilidade deveriam ser muito responsáveis e pragmáticas. por isso penso que estas "pessoas" quando dizem isto não estão a gozar com milhões de portugueses nem tão-pouco com a Humanidade em geral, portanto provavelmente é algo que vai acontecer com o «choque tecnológico» (TM), a novíssima tecnologia "digo e está feito". se não, como explicar que se diga igualmente "ai as plantas regeneram-se facilmente, não há desastre ecológico nenhum!"? caramba, por momentos pensei que os animais não fizessem parte dos ecossistemas e que estes não se desequilibrassem com os incêndios! mas de certeza que o "digo está feito" não é uma treta. de certeza. não pode.

(e para quando a minha varinha mágica, hum?)

13

a putridão exangue do bicho homem, deixa-o pálido enquanto se arrasta. destrói tudo o que toca, pois ninguém deve ter o que ele almeja, o que a nossa ambição de porcos triunfantes nos promete. simples coisas como o dar e o receber, fundem-se com o dinheiro (cash) e pimbas! morte a tudo o que viva!

e assim conclúo: algo cheira mal no reino dos déspotas! é que este desejo de guerra, só não nos corrói porque nos compõe! não fosse isso e veríamos bocados de nós pela praça pública, caindo sem darmos conta, enquanto corríamos em busca de lugar melhor (leia-se: onde possamos matar mais).

matar e morrer não é o contrário de fazer viver e estar vivo. quem é que disse aquilo?! arde aqui e arde ali mas esperem! são cinco milhões de contos por ano! e as pessoas, que é delas? são adubo! são estrume! vou regalar-me na bosta e tomar banhos na banha da cobra e vou sentir-me bem! ...não te rias nem faças de conta que não percebes: estamos todos nisto.

mas há esperança! pois a vida é feita de pequenas pessoas que fazem pequenas coisas que mudam em muito o mundo! não desistas! e vem viver na utopia! não lava mil e quinhentos pratos com uma só gota, nem faz crescer o teu pénis em altura e largura, mas é de Homem, Homem com H grande, enorme, maíusculo, daqueles de que @s poet@s são feit@s e também as pessoas que todos os dias ainda guardam um segundo para cheirar a velha sardinheira, dois para sorrir, e todo o resto do tempo a mudar o mundo.

dia 12

sábado é mais dia para sermos menos deles. e para sermos mais nós, outra vez.

quinta-feira, agosto 11

carmim

parece que a noite ultimamente chega mais forte e eu não estou preparado para isso. cedo à vertigem da saudade e espero que o dia retorne. enquanto isso, delicio-me com o rojo do sangue dos meus pulsos, e despeço-me assim com o desejo de que sejam felizes (pelo, menos enquanto tocar o senhor de barbas).

be my baby











a melhor tira de banda desenhada de sempre



sem dúvida






(Tradução, da esquerda para a direita, e de cima para baixo:

Primeiro quadrado: "...sim, sempre gostei de miniaturas... mas cansei-me de combóios eléctricos, barcos e outros modelos...

Segundo quadrado: "...descobri a minha verdadeira vocação com o bonsai, a arte japonesa de cultivar árvores anãs...

Terceiro quadrado: "...no início, a ideia consiste em impedir a planta de crescer... ihihih... enquanto jovem, replanta-se em vasos minúsculos, transplanta-se várias vezes..."

Quarto quadrado: "...de cada vez corta-se, clic, com uma tesoura todas as raízes que tentam desenvolver-se, clic... clic"

Quinto quadrado: "...em seguida arranca-se a maior parte dos botões e dos tenros rebentos... mas pacientemente, beliscando-os com as unhas... hignn..."

Sexto quadrado: "...e apesar de tudo brota um embrião de tronco, um ou dois ramos minúsculos... então dobramo-los, torcemo-los, amarramo-los com fio de cobre em posições aberrantes para que, com o correr dos anos, adquiram formas bizarras...

Oitavo quadrado: "...e obrigamo-las a rastejar com a ajuda de ganchos... às vezes entalamo-las com cavilhas ou pedras... fazem-se também alguns enxertos... pessoalmente, adoro experimentar..."

Nono quadrado: "mas? o que é que está a mexer?... QUE DIABO!"

Décimo quadrado:
"PUTOS DE MERDA!! JÁ VOS PROIBÍ DE SUBIR ÀS ÁRVORES!!!"
"Não voltamos a fazer,"
"...Papá"

noir

c'est le matin



moleskine, moleskine... où vas-tù aujourd'hui?

Les Idées Noires




Foi um dia, por acaso, ao desenhar o Gaston,
Que Franquin viu esse olho a fitá-lo do tecto.
Ele abriu a sua janela e contemplou o céu,
O olho estava lá também, por cima de Bruxelas!
Empreende então um vasto cruzeiro
A este, a oeste, ao sul e ao norte da terra.
Foi tempo perdido! Para onde quer que fosse
O olho estava sempre lá e sempre a fixá-lo!
Decidido a deixar o enigma por resolver,
Mergulha no trabalho impetuosamente.
E o aparo da sua pena, embebido em tinta negra
Dilacerou o papel como que com golpes de punhal.
Quando tinha terminado ele observou a sua página,
(Era uma "ideia negra") depois uivou de raiva.
No tecto, com efeito, já não havia mais nada:
O olho estava sobre a página e olhava para Franquin.


Victor Hugotlib

simple lives

um dia, um pérfido exemplo do que a matéria viva pode formar, escreveu-me seguinte comentário:


"lolol sempre em defesa dos fracos e oprimidos com quem mantém relações simbióticas lolol"


o intento era insultar-me. mas foi, sem dúvida alguma, o melhor elogio que alguém me poderia ter feito.

quarta-feira, agosto 10

sexualidades

boy meets girl meets boy meets television meets redemption

eu hoje não vi televisão

só namorei muito muito
sentado em bancos de jardim
como se fosse a primeira vez

bem melhor que ver televisão

fim de tarde

nem só de música vivem os campos do alentejo nesta altura. quando o que te leva ao engano são as vacas (e não o são sempre? versões ruralizadas das sereias, tágides do guadiana. mais metafóricas menos metafóricas), encontras em ti palavras que desconhecias e no outro um companheiro para a vida. sentes que naqueles campos vazios houve estórias, que naquelas casas abandonadas festas e mortes, que o horizonte está negro dos teus olhos, e não do que é. tiras os óculos e olhas em volta: aquilo é o nada e faz duas horas que desaparecemos. quase. quase. perdêssemos nós a noção um do outro, e o mais fantástico deste mundo aconteceria: seríamos parte do nada, para sempre, uma mancha de aguarela naquele quadro mal pintado que ninguém vê.

fim de tarde

senta-se no parapeito, expande-se até ao infinito. da vasta cidade que o constrange, só lhe resta a fachada, e dali de cima é-lhe imune (ainda bem que assim o é). à primeira gota de chuva não se apressa a tirar o pêssego do bolso, que as coisas sejam como tiverem de ser, porque a esta hora não se tenta moldar o mundo à nossa volta, dos nossos mundanos desígnios. trinca-o com gosto, mastiga de boca bem aberta, deixa que os sons se misturem. a chuva que cai no chão, o barulho que faz nas telhas, o silêncio da cidade adormecida; e também o dilacerar da polpa, o quase imperceptível descer da gota de sumo, e o suspiro que veio e foi com o pássaro que nasceu onde a árvore acaba. inspira a brisa fresca e mantém-se, neste momento de perfeita harmonia egocêntrica, durante três segundos: o tempo suficiente para ser feliz.

fim de tarde

e às vezes, sabe tão bem respirar

pergunta

é a bigamia uma falha do ser humano?

terça-feira, agosto 9

happiness

sabe bem escrever onde ninguém lê.

Cage, Nicholas Cage

Proposed to Patricia Arquette on the day he met her in the early 80's. Arquette thought he was a bit strange but played along with his antics by creating a list of things Cage would have to fulfil to win her. When he started to work his way through the list, Arquette got scared and avoided him. They met again many years later and later went on to marry.

separate lives


it used to be a chair. now it's only a man.

maybe i'm still a virgin


i guess you shouldn't mess with us.

how many are they


sometimes, when the rain starts to pour, we all see a green pill flying above us.

gorgeous


please do not feed the animals; they're almost extinct.

ah

"o sexo casual é uma experiência vazia. mas dentro das experiências vazias, é a melhor."


woody allen

factos

"na criação da primeira mulher houve uma falha, pois foi feita de uma costela curva. curvada na direcção contrária à do homem. portanto, é um animal imperfeito. é a mais fraca de mente e de corpo e, por natureza, mais impressionável. tem memória fraca, não é disciplinada, perdendo a todo o momento o sentido do dever. por seus distúrbios passionais e afectivos é vingativa e propensa a renegar a fé. não é de se estranhar que este sexo tenha dado tantas bruxas"



jakob sprenger, dominicano alemão do período da Inquisição,
especialista em bruxas do séc. XV

ele

um dia ele começou a escrever. escrevia sem regras e sem estilo porque nunca tinha lido, e era essa franqueza pura das palavras que lhe dava a graça que tinha. parecia tudo de propósito, mas não era: fluía, apenas. as pessoas que ele admirava liam-no e isso assustava-o porque sabia que um dia, um dia, um dia essas pessoas iriam entristecer-se e desiludir-se. com ele, e com elas próprias por não o terem desprezado mais cedo. mas ele não tinha culpa, no entanto. regendo-se pela velha máxima "se tu me lesses, eu escreveria bem melhor", sentiu-se sozinho na sua escrita e ficou esquizofrénico, enclausurado numa pequena sala onde todas as letras saíam aos berros, à procura de se notarem. nada a fazer. e essa franqueza pura tinha dado lugar a uma perfeita demência (sem estatuto) e ele perdeu-se por Coimbra na tentativa (e viva o cliché) de se encontrar... mas quando voltava a escrever, certo era que a cadeira, o quarto ou o café se transformavam, instantaneamente, na pequena sala almofadada do asilo de Arkham. hoje bebe vinho estragado. e sente-se bem melhor assim.