quarta-feira, agosto 10

fim de tarde

senta-se no parapeito, expande-se até ao infinito. da vasta cidade que o constrange, só lhe resta a fachada, e dali de cima é-lhe imune (ainda bem que assim o é). à primeira gota de chuva não se apressa a tirar o pêssego do bolso, que as coisas sejam como tiverem de ser, porque a esta hora não se tenta moldar o mundo à nossa volta, dos nossos mundanos desígnios. trinca-o com gosto, mastiga de boca bem aberta, deixa que os sons se misturem. a chuva que cai no chão, o barulho que faz nas telhas, o silêncio da cidade adormecida; e também o dilacerar da polpa, o quase imperceptível descer da gota de sumo, e o suspiro que veio e foi com o pássaro que nasceu onde a árvore acaba. inspira a brisa fresca e mantém-se, neste momento de perfeita harmonia egocêntrica, durante três segundos: o tempo suficiente para ser feliz.

1 Comments:

At agosto 10, 2005 10:39 p.m., Blogger Luís said...

Um abraço. Bons posts Jamiroo

 

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