Les Idées Noires

Foi um dia, por acaso, ao desenhar o Gaston,
Que Franquin viu esse olho a fitá-lo do tecto.
Ele abriu a sua janela e contemplou o céu,
O olho estava lá também, por cima de Bruxelas!
Empreende então um vasto cruzeiro
A este, a oeste, ao sul e ao norte da terra.
Foi tempo perdido! Para onde quer que fosse
O olho estava sempre lá e sempre a fixá-lo!
Decidido a deixar o enigma por resolver,
Mergulha no trabalho impetuosamente.
E o aparo da sua pena, embebido em tinta negra
Dilacerou o papel como que com golpes de punhal.
Quando tinha terminado ele observou a sua página,
(Era uma "ideia negra") depois uivou de raiva.
No tecto, com efeito, já não havia mais nada:
O olho estava sobre a página e olhava para Franquin.
Victor Hugotlib

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home