quinta-feira, setembro 29

g. gears

um dos textos que mais prazer me deu escrever e do qual me orgulho, é o "mesas de café". uma coisa que nunca entendi, é o porquê de nunca ninguém o ter comentado. nem pessoalmente, nem por aqui, nem por ali (onde morava antes). porquê?

terça-feira, setembro 27

por favor

alguém espanque o ronald koeman.

coffee break

stewie griffin: the untold story

Peter Griffin: "Save your money, Tucker. This place doesn't have porn. You know, that really grinds my gears. Where in the bible does it say that a man can't fire off some knuckle-children in the privacy of his own neighbor's living room while his neighbor's at work because I don't have a DVD player? Well, I don't know where it says it because the Bible was way too long to read!"

domingo, setembro 25

e também porque ainda acredito ser fácil superarmo-nos!

odeio-me sobejamente, não de um ódio suicida, mas de um ódio forte e principalmente coerente com o motivo deste meu odear incessante. odeio-me porque penso em tudo, sobre tudo, a todo e qualquer momento. o mais pequeno acontecimento, a mais ínfima entidade, provocam em mim um pensar pensar pensar pensar pensar, uma linha de montagem de dissertações devaneios e esgares. que me angustia. uma vez lembro-me de andar por coimbra a pé, de madrugada, e pensar que se uma formiga andasse por aquelas pedras, àquela hora, sem que ninguém a visse, se existia mesmo. ou o que é que lhe acontecia. nesse momento perguntei-me se também existiria eu, naquele momento. mas se estava a pensar nisso, e se pisava aquela calçada e se a luz dos anúncios de neon me ofuscavam, então era porque existia realmente. mas e a formiga? se não tem consciência? se não tem consciência de si própria? e estiver numa pedra escondida na escuridão, terá consciência do que a rodeia? e aí, existirá? depois são as pessoas. é impossível ser eu um dia que seja, e não passar quarenta e oito horas sobre vinte e quatro (os pensamentos dobram o tempo, são dimensões diferentes) a pensar em todas as pessoas que conheço ou com quem já tive algum tipo de contacto social mais prolongado. se gostam de mim, se não gostam. se me conhecem, se não. se eu desaparecesse se quereriam saber de mim. se sou importante para elas ou não. e depois penso sempre para a frente. seeeeeeeempre para a frente. se realmente gostam de mim, se é por me conhecerem como sou. se realmente não gostam de mim, se é por me conhecerem como sou. e se gostam, será que conseguirei "ser eu" sempre e assim gostarem de mim sempre? e será que "ser eu" é só bom no início, e eventualmente ninguém vai gostar de mim a partir de certa altura? os mesmos raciocínios se aplicam a quem não gosta de mim. a juntar a isto tudo, duas coisas: uma é o parque jurássico. nunca devia ter visto esse filme. a teoria do caos é algo que me perturba e me persegue (nem vale a pena expandir este assunto). a outra, é o querer. eu tenho um querer muito forte. tenho uma noção tão vasta da minha ignorância e das potencialidades do ser humano, que quero ser tudo, e saber tudo, e de querer ser mais e saber mais, e isso perturba-me, porque, definitivamente, não me consigo resignar à mortal e frágil e limitada condição de Homem e a tudo o que isso comporta. definitivamente, definitivamente, sou muito estranho. e talvez não seja este mundo demasiado estranho para mim; talvez seja eu demasiado estranho para este mundo.

este mundo é muito estranho para mim

o céu lá fora, de um azul escuro e de veludo

(como o desta manta que me tapa)



e a única estrela, bem alto, brilha.

a não existência é consequência de um querer maior

querer mais. e sempre mais além.
um querer maior de concretizar isso.
e ter uma consciência maior, inquieta, angustiada da falta do poder de reter, em cada bocadinho de um infinito eu cá dentro, tudo e todos, a cada momento, como pequenos grãos de areia de uma imensa praia, que conhecemos um a um e tratamos pelo nome.

uma angústia tremenda. de sermos mais e não sermos mais agora, quando vamos lá fora. quando saímos de dentro de nós, e sentimos que os outros não sabem quem somos. e o que escondemos cá dentro, e o que queremos mostrar, e o que nos aquece às vezes e o que fazemos que faça frio, a ti, a vocês! o que vos enfraquece.

querer ser mais, querer ser mais além. querer ser tudo, querer sorver tudo, querer ter noção de tudo, a consciência de tudo, o conhecimento de tudo, o poder de tudo, de antes
de agora
e para sempre! um depois tão profetizado.

e saber que não. que não somos palavra nem sentimento, que somos temporais e restritos, limitados até! e mais limitados que os outros (ainda que tal seja uma inverdade: então e porque é que não passa?). aí não há uma resignação, não pode haver. e quanto mais querer surge, e quanto mais querer cresce, e quanto mais querer queremos!... não rendidos a uma frágil existência, preferimos
não existir.

a não existência... essa... é consequência de um querer maior.

quinta-feira, setembro 22

quê

era meia noite, quase 10 horas, quando o surdo escutou o mudo dizer que o cego viu o paralítico correr atrás de um carro parado, num dia de frio em que o sol abrasador iluminava a pálida noite, e uma velha de 15 anos sentada num banco de pedra de pinheiro dizia calada: preferia morrer a perder a vida.

quarta-feira, setembro 21

post secret

a minha vida é um terror. ninguém sabe e ninguém imagina, porque eu não quero nem nunca tive a coragem de o fazer saber. mas é todas as noites a mesma coisa. chegue a casa às 20h, às 24h ou às 6h, desato a chorar, incompreensivelmente, sem parar e desatino. fico na minha, sozinho, e sinto-me sozinho. desato a mexer no telemóvel, passo todos os números da minha lista telefónica, peço a mim e a Deus e a qualquer coisa que me dê força para carregar num qualquer, para que deixe de me sentir assim, para que alguém me apareça e ajude, por favor, preciso tanto. ninguém me compreende, nem mesmo eu. e vou ficando cada vez mais sozinho, cada vez mais enrolado em mim, mas nem essa "posição fetal psicológica" me conforta. depois adormeço sem dar por isso, e tenho pesadelos a noite toda, toda a noite, sem parar, todas as noites. leio o que vou escrevendo e desato a chorar, estou a agarrar os cabelos, a olhar para fora, sem rumo sem solução sem nada. se ao menos vocês lerem isto por favor falem comigo, eu não vos direi nada, mas preciso tanto tanto tanto disso...

domingo, setembro 18

além de mim

se sobe a noite é porque o fogo do teu acreditar aquece as estrelas sem que mais ninguém saiba.

sábado, setembro 17

>_<

(nota rápida)

(não ouvir a living room dos belle chase hotel antes de ir para a cama)

o vento lá fora

procurar a simplicidade nas palavras. para que quando te dissesse que não são mais os teus olhos onde me refugio, nem os teus lábios onde saceio a sede de viver, e que a tua pele já não é mapa incansável do meu deleite, isso fosse tão fácil e natural como as flores de caeiro, ou as nuvens do céu.

quinta-feira, setembro 15

rascunho

há uma noite que me espera lá fora. hoje, passados tantos dias desde a última vez que ouvi aquela música, é como se ressoasse sem eu querer. faz bem. escrever assim à pressa. como quem tenta que as notas substituam as lágrimas, e as palavras as decisões. se um dia me fôr quero esta música a tocar. no fim de contas, e olhando em retrospectiva, a banda sonora da minha vida. and turn the television on.

terça-feira, setembro 13

.

ninguém me compreende.

mantumi

sabes quando a tristeza te atinge, se à noite ouves a Lhasa de Sela a cantar e só pensas "cala-te. sabes lá o que é isso".

domingo, setembro 11

Depois do DNA

"Más de un siglo después de Darwin hemos llegado a un punto muerto entre ciencia y religión, o, por lo menos, entre la ciencia y ciertas religiones"

"Hay quien cree que el aborto es irresponsable; lo irresponsable es permitir el nacimiento de un niño que tendrá una grave enfermedad incurable"

James Watson, El País

agradecido

mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar sem roupa interior. MAIS: quem tudo quer no meio das pernas, tudo perde debaixo dos lençóis.

Achei por bem pôr isto... de futuro algo melhor e mais rebuscado virá.

Até lá!

nuno

há que ter a noção. agora foste o velho médico reformado, o velho que apanha as maçãs, o míudo sado-masoquista, o cego repugnante e o escritor/filósofo ("o mais repugnante deles todos"). foste também as mulheres feias, encornadas, pequeninas. entraste em minha casa, violaste-me no chão da tua, meteste-me a mão entre as pernas e partiste-me os bibelôs, um a um, os sete, e eu não chorei. mas eu não sou nem a Graça nem tão-pouco existo aqui. porque se o fosse, não conseguiria olhar em frente, só em frente.

uf

daqui, de onde os olhos se fecham, é impossível não bater palmas mais uma vez, depois de dogville. mas não sem antes desligar a televisão, e esperar um momento sem sabermos que estamos a esperar um momento.

sábado, setembro 10

Sou um infeliz...

Eu não sei mas ainda ninguém me deu a provar deste vinho... Devem ter alguma coisa contra mim...

Fico à espera!

PS: Ontem, na SIC Radical, Monday Night Raw, inédito: na primeira fila atrás das escadas de acesso ao ringue, um homem com uma t-shirt do FCP!! É verídico!

Nuno

frodo has failed


~.^

disce quasi semper victurus; vive quasi cras moriturus

quarta-feira, setembro 7

.aa.

As águas negras da noite as águas negras

as águias que debicam

meu coração no cimo da montanha

a pulsação do mar o oiro alquímico

a batida do vento e a laranja

que devagar amadurece algures no mundo.



Toda a terra está escrita.

Encosta o teu ouvida à página do livro

ouve o rumor do mundo

a floração secreta a música

as águas dentro da palavra

as águias.




Manuel Alegre
in "Senhora das Tempestades"

terça-feira, setembro 6

solstício

não quero mais uma cara que personifique

as minhas vontades os meus desejos e as minhas concretizações


prefiro deixar para mim
as minhas fracas aptidões.

extrapolação

omaifgjoiafgjvkojegrgoit '35 tg3it g3 +0i3+dsfç+fdsaãsfdaçaçg

g+fdpgdkfkgre'´ga'35'l«35g35gg3a

gl e
eafgee+kgg0+krkkg0i'rg regrwgwea
rgpkrgpkp+kgkity 05'4yhg
´fs+dºa
´ºc
ãxc
s~vcweºg
´4wºt
´36ºb 6´hç´46+ o0+i 0+weai

quem ata por gosto não cansa, matança matança

às vezes sinto-me um nó deste mundo. que não ata nem desata, sem ponta por onde se lhe pegue. um nó que se senta a pensar, e descobre que é tudo tão fácil, é tudo tão mais fácil, mas que se perde em incertezas transfiguráveis (são sempre as mesmas, só muda a máscara). no fundo é o medo, no fundo é o amor, no fundo é o receio, no fundo é um desconhecimento total de si próprio que se acentua quando não sabem quem sou. e como um nó, dependo muito de vocês, que me puxem e desatem. mas, enfim, também não quero saber muito de vocês. e porquê? PORQUE VOCÊS NÃO EXISTEM.

quando fôr

eu não era para escrever aqui hoje. parece-me difícil a junção de palavras nos últimos tempos, e não gosto de não me conseguir expressar como quero, e tão pouco encher chouriços. mas uma coisa quero deixar explícita: quando dos resquícios de amizade nasce a ligação profunda de outrora, quando os acordes da guitarra ressoam e chamam o vento, quando as palavras saem e não pedem licença, quando o escuro da noite esconde a inexistência de árvores lá fora... quando esse tempo fôr, é nesse tempo que quero estar. agora, é nesse tempo que estou.

sexta-feira, setembro 2

condimentos de um post

burguês, burgesso, disléxico. misturar.

o aforismo está implícito, porra

cinco garrafas de vinho. uma garrafa de martini. um cálice de porto e/ou de whisky. mais vinho do porto. uma caipirinha baiana. morte e olaré.