e também porque ainda acredito ser fácil superarmo-nos!
odeio-me sobejamente, não de um ódio suicida, mas de um ódio forte e principalmente coerente com o motivo deste meu odear incessante. odeio-me porque penso em tudo, sobre tudo, a todo e qualquer momento. o mais pequeno acontecimento, a mais ínfima entidade, provocam em mim um pensar pensar pensar pensar pensar, uma linha de montagem de dissertações devaneios e esgares. que me angustia. uma vez lembro-me de andar por coimbra a pé, de madrugada, e pensar que se uma formiga andasse por aquelas pedras, àquela hora, sem que ninguém a visse, se existia mesmo. ou o que é que lhe acontecia. nesse momento perguntei-me se também existiria eu, naquele momento. mas se estava a pensar nisso, e se pisava aquela calçada e se a luz dos anúncios de neon me ofuscavam, então era porque existia realmente. mas e a formiga? se não tem consciência? se não tem consciência de si própria? e estiver numa pedra escondida na escuridão, terá consciência do que a rodeia? e aí, existirá? depois são as pessoas. é impossível ser eu um dia que seja, e não passar quarenta e oito horas sobre vinte e quatro (os pensamentos dobram o tempo, são dimensões diferentes) a pensar em todas as pessoas que conheço ou com quem já tive algum tipo de contacto social mais prolongado. se gostam de mim, se não gostam. se me conhecem, se não. se eu desaparecesse se quereriam saber de mim. se sou importante para elas ou não. e depois penso sempre para a frente. seeeeeeeempre para a frente. se realmente gostam de mim, se é por me conhecerem como sou. se realmente não gostam de mim, se é por me conhecerem como sou. e se gostam, será que conseguirei "ser eu" sempre e assim gostarem de mim sempre? e será que "ser eu" é só bom no início, e eventualmente ninguém vai gostar de mim a partir de certa altura? os mesmos raciocínios se aplicam a quem não gosta de mim. a juntar a isto tudo, duas coisas: uma é o parque jurássico. nunca devia ter visto esse filme. a teoria do caos é algo que me perturba e me persegue (nem vale a pena expandir este assunto). a outra, é o querer. eu tenho um querer muito forte. tenho uma noção tão vasta da minha ignorância e das potencialidades do ser humano, que quero ser tudo, e saber tudo, e de querer ser mais e saber mais, e isso perturba-me, porque, definitivamente, não me consigo resignar à mortal e frágil e limitada condição de Homem e a tudo o que isso comporta. definitivamente, definitivamente, sou muito estranho. e talvez não seja este mundo demasiado estranho para mim; talvez seja eu demasiado estranho para este mundo.

2 Comments:
assim vou deixar de ser sincero
you're coming with me
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