segunda-feira, julho 11

isto é a verdade e sou eu

eu quando me sinto sozinho é quando tenho mais medo de me matar. não de morrer, porque se isto acontece com tanta frequência é porque, sozinho ou não, já morri. adiante. e se me sentir sozinho é mau, o pior é quando sou invisível - porque nem sequer é sentir que sou invísivel, é sê-lo efectivamente. e aí ninguém quer saber de mim, e aí não tenho ninguém em quem pensar vou fazer-lhe falta, e aí ninguém existe que me faça lembrar que sou um ser colectivo, um ser (pressupostamente) social e por isso nada invísivel e sem legitimidade para ser egoísta. sou invísivel - e apesar de tudo luto para não me matar (um morto a lutar para não se matar, que cómico oh a ironia). e é quando luto que penso se luto por alguma razão é se luto para não, sei lá, engolir uns comprimidos como a minha mãe fez por minha culpa e depois de uma discussão tremenda comigo, ou cortar uns pulsos (mas por favor tem que ser com tanto nível como o fez a Britney Spears naquele video... enfim, sou tão merdoso que a minha cultura é a cultura popular), então se luto é porque não devo ser invisível ainda. começo a relembrar as pessoas e não me mato. então volto para a cama com as melhores intenções de aguentar mais um dia à espera que este momento volte

(acontece todas as noites - e agora, também de dia)